Imprensa

+++ Fotos    
Fotos divulgação // Crédito obrigatório Eduardo Queiroga
As fotos estão em 300 dpi, aprox. 16 cm x 25 cm

+++ Release

Em Recife todo mundo tem um projeto. É só conversar com as pessoas nas ruas e nas festas para ver. São projetos grandes: criar comunidades globais, fazer filmes grandiosos e, é claro, formar uma banda que mostre novos caminhos para a música pop brasileira. Alguns projetos dão certo, outros não. O projeto da Mombojó deu certo.

O lançamento de O Homem-Espuma é um importante acontecimento. Primeiro porque de cara dá para ver que é resultado de um trabalho enorme: tanto as composições, como a produção e a execução são esmeradas. Em outras palavras, é um disco para ser ouvido várias vezes, com detalhes que vão sendo revelados a cada audição.

Nesse segundo álbum, algum inseto retro-futurista radioativo deve ter mordido a Mombojó, porque chama bastante a atenção como foram reconstruídas sonoridades passadas, com uma vitalidade contemporânea. Isso sem saudosismo, mas sim para dialogar com estéticas de outros tempos, mostrando que as mesmas ainda tem futuros possíveis.

Talvez seja influência do Del Rey, a banda cover de Roberto Carlos que funciona como projeto paralelo da Mombojó, que tenha inoculado um vírus retrô no álbum novo. Mas não se deixe enganar: estamos falando aqui de um vírus transgênico, geneticamente modificado e altamente infeccioso, que não guarda nenhum compromisso com espectros do passado.

Cuidado! O disco da Mombojó é altamente prafrentex. O obra operada pelo Homem-Espuma foi pegar o passado e continuá-lo no presente, sem rompimento, mostrando que esgotamento não existe. No repertório estamos falando de jovem guarda, synthpop, soul, rock dos anos 80 e 90, diferente vertentes do samba, grunge, eletro, metal e mangue beat. Tudo presente lá, mas de uma forma inusitada: não há interesse no que cada um dessas estéticas realizou, mas sim no que poderiam ainda realizar, hoje, agora e daqui para frente.

Pegue o exemplo de "Swinga", a sexta-faixa do disco. Está tudo ali: os sintetizadores dos anos 80, a composição spacerock à la Stereolab, o teclado que lembra Walter Wanderley, a batida eletrônica desconstruída, guitarra minimalista e um baixo que teima em assumir o primeiro plano, até no final conseguir. Tudo cristalino, contemporâneo, sem ruptura, com as partes se encaixando bem.

Dá até um pouco de medo do Homem-Espuma. Medo porque trata-se de um tipo de álbum cada vez mais raro. Cada música é completa em si. E a cada nova audição, vão surgindo novas conexões entre as faixas. Até que no final, o disco inteiro se revela como um todo, uma obra única. E sem medo de guitarra e de tecnologia.

É bom prestar atenção nos possíveis hits: “Realismo Convincente” sintetiza vários aspectos do disco anterior, Nadadenovo, dando continuidade sonora também a ele. É um rock poderoso, que ao vivo é de botar fogo na platéia. No disco, termina com a participação de Tom Zé e com Felipe S cantando que “está te confundido para te esclarecer” e que “está te explicando para te confundir”.

Outro hit é “Vazio e Momento”, que mistura grunge com mangue-beat, para logo em seguida dar lugar a teclados e metais de soul. É ouvir para crer. Por fim, “Video-Game”, misturando barulhos de Atari com melancolia. Como se de fato o Atari fosse um instrumento musical cotidiano para fazer canções sobre amor e saudade. Como se Pac-Man e Pitfall rimassem com com balada e mangue.

O mais legal dos “projetos” do povo de Recife é que eles representam futuros possíveis, realidades alternativa que podem se concretizar ou não. Com o Homem-Espuma o Mombojó concretiza uma realidade alternativa interessante para o pop brasileiro. O entusiasmo contido no disco é tão presente que ao ouví-lo dá vontade de sair por aí e... montar um projeto.

*Ronaldo Lemos coordena o projeto Creative Commons no Brasil. É curador do Tim Festival e escreve mensalmente para a Revista Trip e para a Revista Linus na Itália.

+++ Sumário
+++ Prêmios - Melhor Grupo Musical (Associação Paulista de Críticos de Arte-APCA)
+++ Indicações - Prêmio Rival BR (categoria Revelação)
+++ DVDs - Toca Brasil Nadadenovo (Instituto Itaú Cultural)
+++ Coletâneas - Rumos Musicais (Instituto Itaú Cultural); Music Trend Brazil (O+, França); Music from Pernambuco (Astronave Produções); Revista GEEK
+++ Trilhas - DVD Creative Commons
+++ Vídeo Clipes - Vídeo Festival de São Carlos; VI Festival de Vídeos de Pernambuco
+++ Apresentações - Abril pro Rock (PE), Curitiba Pop Festival (PR), Ballroom (RJ), SESC Pompéia (SP), Urbano (SP), Mecenas (SC), Circo voador (RJ), Avenida Club (SP), Eletronika (BH), Teatro Odisséia (RJ), Rumos Itaú Cultural (SP), SESC Santos (SP).